No ano de 2025 realizei um sonho antigo: visitar pela primeira vez a Oktoberfest de Munique, a festa que deu origem a tudo aquilo que sempre vivi tão intensamente em Blumenau. Já são 17 edições seguidas frequentando a Oktoberfest Blumenau, sempre por pelo menos 12 dias, e ao longo desses anos a festa se tornou parte da minha rotina de vida, do meu calendário afetivo e cultural. Por isso, estar finalmente onde tudo começou foi uma experiência marcante.
Neste texto quero compartilhar percepções pessoais de quem vive as duas festas com paixão. Não é uma comparação para dizer qual é melhor, até porque são festas diferentes por natureza, mas uma reflexão sobre o que cada uma entrega, suas características únicas e os pontos que podem ser aprimorados.
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Oktoberfest München: onde tudo começou
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| Blumenau na Oktoberfest München. Com os amigos Ernandes,Ana, Jefferson e a Katharina no Boandlkramerei, Festzelt dentro da Oide Wiesn |
Uma das primeiras coisas que me chamou atenção é a diversidade cultural: gente do mundo todo, literalmente. O intercâmbio cultural é gigantesco, e isso cria um clima muito legal.
A tradição da cerveja e da gastronomia é muito forte, com pratos bem servidos e receitas centenárias. Diferente de Blumenau, em Munique não se bebe fora dos Festzelt, e a festa acontece predominantemente durante o dia. As mesas são o ponto de encontro e de permanência do evento. Com exceção da Oide Wiesn, o qual vou tratar depois, nos grandes Festzelt não há “pista de dança”, e isso cria uma dinâmica diferente, mais voltada à convivência sentada para conversa durante alguns momentos e também muita ênfase em cantar junto musicas famosas da festa , ai podendo todos ficarem de pé nos seus bancos. Dentro dos Festzelt, a trilha sonora mistura muita música alemã com alguns clássicos internacionais que animam o público.
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| Com Josef Menzl antes de sua apresentação no Volkssängerzelt Schützenlisl dentro da Oide Wiesn |
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| Hofräuhaus Festzelt |
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| Com os amigos Fábio, Lothar e Ernandes no Tradition Festzel, na Oide Wiesn |
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Oktoberfest de Blumenau: tradição e identidade própria
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| No setor do Galegão na Oktoberfest Blumenau |
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| Domml (Thomas Wöhrl), da banda alemã Troglauer |
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Alguns Comparativos Interessantes
Aqui entram percepções pessoais, sempre com muito respeito às duas festas:
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Traje Bávaro na
Oktoberfest Blumenau
A diferença de tamanho é gigantesca. Munique recebe cerca de 6 milhões de visitantes, enquanto Blumenau recebe aproximadamente 600 mil. Isso naturalmente muda completamente a escala, o fluxo e até o clima de cada festa.
Segurança e Conforto
Blumenau tem um diferencial importante: o controle de público na entrada, que garante conforto e segurança. Nos últimos finais de semana da Oktoberfest de Munique, houve superlotação e certo desconforto. Algo difícil de controlar dada a magnitude do evento.
Desfiles
Os desfiles de Munique são extremamente tradicionais. Em Blumenau, eles são mais alegóricos, com características que lembram o carnaval brasileiro. Não é algo negativo, mas acredito que seria interessante equilibrar esse formato, valorizando ainda mais grupos que mantêm tradições germânicas durante o ano, como ocorre em Pomerode.
Gastronomia
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| Festzelt Tradition, na Oide Wiesn |
Música e Repertório
Assim como em Blumenau, Munique também tem seus hits tradicionais. Mas acontece algo interessante lá: todo ano surgem novas músicas que viram sensação na festa, como “Bella Napoli” e “Wacklkontakt”.
Trajes
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| Angelina Wittmann. Autora do livro "Oktoberfest Blumenau 40 Anos: Palco de um Despertar Cultural" |
Hoje já é possível encontrar dirndls de corte tradicional com preços acessíveis, mas ainda há quem opte por modelos caricatos. Os trajes masculinos, por terem preço mais elevado, ainda enfrentam certa resistência, mas já é visível o crescimento dos interessados.
A Pergunta Que Sempre Me Fazem: Qual é Melhor?
A resposta é simples e sincera: não dá para comparar.
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| Oktoberfest Blumenau |
Blumenau nunca será Munique, e nem precisa ser. Porém é essencial manter a referência da Oktoberfest original, especialmente para preservar a “germanidade” que inspirou nossa festa. Por isso, o intercâmbio entre as duas cidades e a presença de bandas alemãs em Blumenau são tão importantes.
Viver as duas Oktoberfests foi para mim um privilégio. Munique me proporcionou viver a tradição em seu estado mais puro. Blumenau me lembra ano após ano como essa tradição pode ser celebrada com alegria e identidade própria.
As duas festas têm seus pontos fortes e suas peculiaridades, mas ambas compartilham o mesmo espírito: celebrar cultura, amizade, música e boa cerveja. E isso, para quem ama nossa cultura, tradição e alegria, é o que realmente importa.
Postagem: Pedro Berejuk
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